Você do tipo que gasta, ou do tipo que poupa
Aprenda a conciliar gastos e economias
Principais conclusões:
- Falando em dinheiro, o comportamento de gastos e economias se enquadra em um espectro. A maioria das pessoas se encaixa entre poupadora e gastadora, embora a maioria se identifique como poupadora.
- Suas experiências na infância moldam como você pensa e sente em relação ao dinheiro, mas é possível mudar sua relação com ele.
- Segundo alguns truques simples para facilitar o dia a dia, você aprende a conciliar gastos e economias e, assim, aproveitar o resultado do seu trabalho árduo agora enquanto economiza para o futuro.
Para nós, as regras básicas da gestão financeira são simples: gastar menos do que se ganha e guardar um pouco para o futuro. Ainda assim, isso raramente é tão simples na realidade. Dinheiro é uma questão complexa e emocional — e pode afetar como você economiza e gasta.
Quer você se identifique como gastador ou poupador, ter uma relação saudável com o dinheiro é fundamental para você ter a vida que deseja. Como você responderia a esta pergunta: você tende a gastar, ou a economizar? Para muitos de nós, a resposta varia de acordo com a época em que nascemos.
Adultos em fases posteriores da vida têm menos probabilidade de se identificar como gastadores
Nos primeiros anos de vida, o dinheiro pode ser escasso, e a poupança pode não ser prioridade. À medida que prosseguimos na nossa jornada financeira, temos mais experiências com dinheiro, e nosso ponto de vista pode mudar.
"Nossa mentalidade sobre o dinheiro muda à medida que envelhecemos: é muito mais provável que fiquemos menos confortáveis com dinheiro quando jovens e, à medida que envelhecemos, ficamos mais cautelosos e interessados em dinheiro", revela Megan McCoy, PhD e terapeuta licenciada de casamento e família, conselheira financeira credenciada e professora universitária de prática em planejamento financeiro pessoal. A pesquisa dela fica a terapia financeira, ou seja, a exploração da relação entre dinheiro e emoções.
Outro motivo para mudarmos para poupança pode ser o cérebro totalmente desenvolvido. "Nossa capacidade de refletir sobre as consequências futuras das nossas ações é ditada pelo lobo frontal. Pesquisas mostraram que ele só amadurece completamente após os 30 e poucos anos", conta McCoy.
Então, tem como conciliar poupança e gastos ao longo da vida? Tem! Basta começar analisando bem em que ponto do espectro entre poupança e gastos você se encontra.
Poupança x gastos: será que está tudo no cérebro?
Ter uma forte tendência a economizar ou a gastar pode ter muito a ver com as emoções e com a forma como o cérebro está estruturado.
"Estudos cerebrais descobriram que, para pessoas que se identificam como poupadoras, a parte do cérebro que registra a dor brilha mais quando elas gastam do que no caso das gastadoras. Elas literalmente sofrem mais com os gastos do que outras pessoas", conclui McCoy.
Por outro lado, pesquisas mostram que pessoas que tendem a gastar mais não sentem tanta dor ou desconforto nisso. O fascinante é que os pesquisadores não descobriram diferença significativa entre poupadores e gastadores em relação ao materialismo. Não é que quem gasta mais queira mais; essa pessoa só sente menos ao gastar.
Por que somos assim
E por que isso acontece? Como pode algumas pessoas, mesmo dentro da mesma família, virem poupadoras, enquanto outras tendem a gastar? Tudo começa na juventude.
"As pessoas passam por momentos financeiros importantes à medida que crescem e viram adultas. Esses momentos são bons e ruins, mas geralmente deixam uma impressão duradoura no nosso relacionamento com o dinheiro," explica McCoy.
Pode ser ter vivenciado a pobreza na infância ou presenciar seus pais discutindo por dinheiro. Ou podem ser experiências positivas, como discussões sobre o orçamento familiar ou uma grande viagem para a qual a família economizou.
"Nossas experiências com o dinheiro nos levam a tentar entender como o ele funciona na nossa vida e no mundo", descreve McCoy.
Embora nossas primeiras experiências com dinheiro possam nos moldar, elas não precisam nos definir para sempre. Considere sua criação e suas experiências e decida quais valores relacionados ao dinheiro você quer manter e quais descartar.
Como equilibrar gastos e poupança
Para cultivar novos hábitos financeiros, siga algumas dicas para contornar sua reação habitual.
"A meta não é fazer de você um poupador ou gastador — os truques que você usa na sua vida devem ser para equilibrar seu instinto natural", diz McCoy.
Considerações para consumidores
- Automatizar as decisões financeiras pode retirar as emoções da equação e montar uma base sólida para poupar. Considere criar transferências automáticas para uma poupança a cada pagamento; e cadastre-se no plano de poupança da empresa, caso haja. E então, periodicamente, tire um momento para comemorar sua jornada de poupança. Valorizar as pequenas coisas pode manter você nessa jornada ao longo da vida.
- Use dinheiro, não o cartão de crédito. Considere o método dos envelopes para a gestão de caixa. O sistema de envelopes é uma abordagem disciplinada para gerenciar os gastos. Ele visa a atingir a meta de poupança e evita o uso do cartão de crédito nas compras quando você tiver pouco dinheiro. Após dar uma categoria de gastos a cada envelope e alocar fundos para cada uma, o dinheiro dentro do envelope é o máximo disponível para cada categoria até o próximo dia de pagamento. Quando não tiver mais dinheiro no envelope naquele mês, acabou. Todo o dinheiro extra vai para a poupança. Você também pode aplicar uma abordagem digital a esse método usando um aplicativo ou uma planilha. Você não só vida mais responsável como, segundo pesquisas, aumenta sua resistência mental em retirar dinheiro do envelope para outra finalidade. Recomendamos escrever o nome da categoria e depois selar o envelope.
- Abuse nos "passeios online", mas não compre nada. Encher o carrinho de compras com itens pode trazer tanta alegria quanto comprar mesmo as coisas (e é muito fácil encher um carrinho online). Mas, às vezes, nos arrependemos quando todas aquelas caixas chegam. Em vez de ir diretamente para a finalização da compra, adicione tudo ao seu carrinho e aguarde 24 horas. Depois, volte e decida o que você realmente quer — se tiver algo. Segundo McCoy, muitas vezes, depois que a adrenalina do clique passa, passamos a ver as coisas de outra forma.
- Pense em quanto tempo leva para pagar o que você compra. Seu tempo é valioso; é importante considerar quanto tempo cada compra lhe custa. Considere o seguinte: se você quer comprar um item caro, pense em quantas horas de trabalho são necessárias para ter esse valor. Questione se vale a pena - às vezes vale, às vezes não.
Considerações para os poupadores
- Transfira fundos para uma conta específica para gastos com lazer. "E, ao usar esse dinheiro, nunca sinta estresse nem ansiedade, pois você já tem um plano para garantir que esse dinheiro seja usado com segurança." Acho que isso traz um pouco de paz de espírito", conclui McCoy.
- Considere opções de pagamento que não envolvam dinheiro em espécie, pois gastar dinheiro vivo pode ser pior do que gastar com cartão, como mostram estudos. Se você paga a fatura integralmente todos os meses, pode até sair ganhando com um cartão de recompensas ou cashback.
Uma abordagem equilibrada do dinheiro pode trazer felicidade
Independente de onde você se encontre no espectro gastador/poupador, pode se beneficiar de uma gestão financeira mais consciente. Equilibrar suas finanças pode fazer você atingir suas metas de curto e longo prazo e ainda se divertir ao longo do caminho.
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